Mostrando postagens com marcador sociologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sociologia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O legado de Nelson Mandela

Nelson Mandela (1918-2013)
Nelson Mandela morreu, mas não sua luta ou sua história. Livros, documentários e filmes se encarregarão de mostrar ao mundo, para gerações futuras, como é possível um único homem mudar um país e influenciar o mundo.

Seu prêmio Nobel, foi o reconhecimento mundial de um homem que ficou preso por 27 anos acreditando em uma igualdade de oportunidade PARA TODOS! Poucos homens na história demonstraram mais o real cristianismo do que Nelson Mandela; e depois de 95 anos podemos afirmar que o mundo melhorou com sua passagem aqui. 

Fico imaginando quantas histórias não foram contadas, onde sua vida fez a diferença, quantas vidas transformadas, quanta liberdade e igualdade foi oferecida. Tudo isso simplesmente porque um homem resolveu não se calar diante da maldade e do ódio. 

Não tenho dúvidas que Nelson Mandela é um desses homens difíceis de se achar, que não se tropeça nele em cada esquina. Mas também tenho certeza de que Deus haverá de suscitar outros homens como ele, e assim veremos Deus mais de perto. 

[Veremos Mandela novamente] quando Jesus voltar! 

Homenagem da equipe do Está Escrito!

Nota 1: Lado bom da globalização/mundialização: Poucos minutos ou horas após a morte de Nelson Mandela, o mundo todo já estava sabendo da notícia. Quando pessoas importantes morriam no passado, se demoravam semanas ou meses para as pessoas ficarem sabendo.[ALM]

Nota 2: Estava lendo artigos a respeito dos dois lados da vida de Nelson Mandela. A maioria pensa que ele apenas foi pacífico a vida toda, mas a vida dele também foi marcada por participação em guerrilhas, terrorismo, amizade com grandes ditadores como Sadam Hussein, Fidel Castro (muitos vão criticar, mas este também) e simpatia por Lênin e o regime comunista (que, apesar de defender a igualdade, perseguiu religiosos etc.). Por outro lado, Mandela lutou pelo fim do Apartheid e se tornou um símbolo da luta contra a segregação racial no mundo, ganhando o prêmio Nobel da Paz. É difícil tirar uma conclusão, mas, até onde estou informado, no final de sua vida Mandela deu um bom testemunho cristão, vindo a se converter ao cristianismo e apoiando sempre o diálogo como forma de resolver conflitos humanos (a exemplo de Jesus). O que eu admiro na história de Mandela é o lado pacífico e de bom exemplo do ex-presidente da África do Sul e seu legado como homem que procurou a igualdade entre as pessoas. O restante eu deixo para Deus julgar, sem apoiar qualquer forma de injustiça para se tentar resolver injustiças. [André Luiz Marques]

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Revisão do capítulo 4 (7º Ano)

 Clique sobre as imagens para ampliá-las.
Atenção: os slides do capítulo 4 podem ser acessados clicando aqui (está junto ao capítulo 3). Lembrando que a leitura do livro e a atenção nas aulas também são muito importantes. Bons estudos e a paz de Jesus!

Prof. André Luiz Marques

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Marina Silva 'rouba' cena na imprensa estrangeira

A candidata derrotada do Partido Verde (PV) à Presidência, Marina Silva, roubou a cena dos dois principais postuladores ao cargo nas reportagens sobre as eleições brasileiras publicadas nesta terça-feira na imprensa internacional.

Com quase 20 milhões de votos (19,2% do total) obtidos, a candidata é tratada nas reportagens e editoriais por expressões como "grande vencedora" da disputa, "fiel da balança" no segundo turno, detentora da "chave das eleições" brasileiras e de um capital político que "vale ouro".

Outros artigos interpretaram a votação maciça em Marina Silva como sinal de que a sociedade brasileira se recusou a "passar um cheque em branco" para a candidata do PT, Dilma Rousseff, apesar do alto nível de popularidade de seu mentor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como resumiu o diário espanhol El Mundo, "tanto Dilma como (o candidato do PSDB, José) Serra eram personagens secundários" no dia seguinte às eleições, embora ambos tenham obtido, juntos, 80% dos votos.

"A única triunfadora foi Marina Silva, a ex-ministra rebelde e defensora do movimento ecologista, que protagonizou uma incrível subida na reta final da campanha", escreveu o jornal.

No artigo, denominado "Marina Silva, chave da herança de Lula", o repórter do diário espanhol diz que "o cofre que guarda a herança de Luiz Inácio da Silva permanecerá fechado por outras quatro semanas".

"Só Marina tem as chaves do cofre. Ela será o árbitro da segunda rodada."

'Injeção de vida'

Seguindo raciocínio semelhante, o também espanhol El País diz, em editorial, que "os ecologistas se converteram na formidável surpresa das eleições" brasileiras.

"O único claro é que tanto Dilma Rousseff quanto José Serra terão que negociar o programa ambientalista e a política de desenvolvimento sustentável da Amazônia defendida por Marina Silva", diz o jornal.

Na Grã-Bretanha, a votação da candidata do PV despertou entusiasmo. O The Guardian afirmou que Marina Silva se tornou "figura central" na disputa.

O austero diário financeiro Financial Times disse que a ex-ministra do Meio Ambiente foi "a única candidata que injetou vida" na disputa entre a "dama-de-ferro" (Dilma) e o "coveiro" (Serra).

"É uma reversão total do que parecia uma conclusão feita: que o país está crescendo economicamente, que os mercados estão escalando as alturas, e que a incessante campanha de Lula ao lado de Rousseff inevitavelmente lhe daria a vitória em uma bandeja."

Já o Independent publicou um editorial qualificando o desempenho de Marina Silva de "extremamente promissor".

"O futuro econômico do Brasil não pode ser comprado à custa do meio ambiente", defendeu o jornal. "Mais que nunca o mundo precisa de um Brasil verde".

'Vitalidade democrática'

Na França, o Le Monde avaliou que, embora tenha sido eliminada da disputa presidencial, Marina Silva sai como "a grande vencedora das eleições".

O jornal relata a ascensão de Marina em meio a uma campanha marcada pela falta de debate político - fator por trás do alto grau de abstenção, nulos e brancos em comparação com eleições anteriores, na visão do diário francês.

Tanto o Monde quanto o El País viram na realização do segundo turno um sinal da "vitalidade" da democracia brasileira, onde os eleitores se "recusaram a passar um cheque em branco" a qualquer um dos dois principais candidatos da disputa.

A versão europeia do Wall Street Journal avaliou que, apesar da vantagem clara de Dilma, a segunda rodada pode ser "uma eleição completamente nova" levando em conta a influência de Marina Silva, as eleições de governadores da oposição nos Estados e o tempo igual de televisão no horário político para as duas campanhas.

Registrando, como o resto da imprensa, o "tsunami verde" representado pela votação de Marina Silva, o francês Le Figaro foi o único a notar a "situação complicada" em que a candidata verde agora se encontra.

"A maioria dos dirigentes do Partido Verde apoiaria José Serra, em nome das alianças regionais costuradas entre os dois partidos. Mas um tal gesto de Marina Silva seria julgado como uma traição à esquerda."

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A fome revelou um herói brasileiro

Tudo começou na faculdade, logo no primeiro semestre. Eu ouvi um amigo falando algo sobre o "Homem-Caranguejo" ou "Homem-Gabiru". Na santa inconsequência de alguém que até ali se alimentara mais do que devia de cultura pop, imaginei que se tratava de um novo herói. Afinal, eram tempos em que o Homem-Animal dominava os gibis no Brasil.

Homem-Animal é um personagem obscuro dos quadrinhos que se tornou cult nas mãos de um escritor acima da média, Grant Morrisson. Tinha o poder de copiar temporariamente as habilidades dos animais, como a velocidade de um leopardo, o voo da águia ou a força de um inseto.

Suas histórias traziam mensagens não muito populares na época, como o terrorismo ambiental e o aquecimento global. Tudo parecia papo de ficção científica ou reservado ao limbo acadêmico. As histórias do Homem-Animal ajudaram a prenunciar os atuais dilemas ecológicos. E as narrativas eram demais. Lia gibis e gostava dos desenhos, mas me ligava mesmo nas histórias. Ainda hoje lembro de escritores que me fascinavam: Jack Kirby, Roy Thomas, Stan Lee, Frank Miller.

O Homem-Caranguejo estava longe de ser o Homem-Animal, descobri depois. Nascia um novo herói para mim: o médico pernambucano Josué de Castro, um dos nomes fundamentais da vida social e política do país.

Josué de Castro era médico, sociólogo, nutricionista, antropólogo, humanista. Era também um retirante nordestino. Saiu da região, fugindo da seca, como tantos outros, para se aventurar em terras que não eram suas.

Formou-se em Medicina aos 21 anos, no Rio de Janeiro. Três anos depois apresentou a tese "O problema fisiológico da alimentação no Brasil", sinalizando a importância que o estudo da nutrição teria em sua trajetória. Ensinou em Recife e no Rio de Janeiro. A geografia humana era tema recorrente, a fome também. E publicou o espantoso Geografia da Fome, em 1946, livro que mexeu comigo como poucos.

Se você tem um mínimo sentimento humanitário, uma busca qualquer por um cristianismo que vá além da subjetividade e um desejo de conhecer melhor o seu país ou mesmo a América Latina, não tem jeito: pare tudo agora e vá ler Geografia da Fome.

Josué de Castro descobriu a fome nos manguezais. Vendo o homem ali, mergulhado na lama, catando caranguejos para sobreviver, daí o personagem que criou.

Ao estudar a fome, se tornou um indispensável agitador social e político. Com ele aprendi que a fome é multifacetada. Existe a fome individual e coletiva. A fome total e parcial. A fome específica e a fome oculta. O grande objetivo era denunciar a fome como algo presente no cotidiano das pessoas. Mostrar que era um crime, e era inaceitável.

Li depois Fome, um Tema Proibido. Outra paulada. Veja o que ele escreveu:

"Foi assim que, pelas histórias dos homens e pelo roteiro do rio, fiquei sabendo que a fome não era um produto exclusivo dos mangues. Que os mangues apenas atraíram os homens famintos do Nordeste: os da zona da seca e os da zona da cana. Todos atraídos por essa terra de promissão, vindo se aninhar naquele ninho de lama, construído pelos dois e onde brota o maravilhoso ciclo do caranguejo. E quando cresci e saí pelo mundo afora, vendo outras paisagens, me apercebi com nova surpresa que o que eu pensava ser um fenômeno local, era um drama universal. Que a paisagem humana dos mangues se reproduzia no mundo inteiro. Que aqueles personagens da lama do Recife eram idênticos aos personagens de inúmeras outras áreas do mundo assolados pela fome. Que aquela lama humana do Recife, que eu conhecera na infância, continua sujando até hoje toda a paisagem de nosso planeta como negros borrões de miséria: as negras manchas demográficas da geografia da fome."

Lembrei desse texto quando visitei, semana passada, famílias desabrigadas pela enchente no Nordeste, para uma ação de emergência. O mundo era lama apenas. As pessoas tentavam recolher da lama objetos pessoais, eletrodomésticos, comida, documentos, memória. Impossível não lembrar do Homem-Caranguejo.

Impossível também esquecer que, mesmo com o oba-oba oficial, a fome está mais perto da gente do que se imagina. Com exceção do Brasil, a América Latina e Caribe têm mais pobres e miseráveis hoje do que na década de 80, segundo a FAO. Mesmo o Brasil da Era Lula tem o desafio de tirar da indigência 35,5% da população, segundo o IBGE. É gente demais. E é algo que tem a ver, sim, comigo e com você.

(Heron Santana)

Fonte: Outra Leitura

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Darwinismo social, racismo e imperialismo

[A seguir, apresento um trecho interessantíssimo do livro O Imperialismo, escrito pelo já falescido (2007) Dr. Héctor H. Bruit, que foi doutor pela USP, Livre Docente pela UNICAMP e pesquisador do Centro de Memória da UNICAMP. Li este livro como parte do material a ser estudado na disciplina de Organização do Espaço Mundial, do curso de Geografia - UEM. O trecho se refere a uma análise de um dos principais fatores que motivaram a expansão colonial dos países imperialistas (em especial, a partir do século XIX), o darwinismo social, que deu base para a repugnante ideia da superioridade racial]

(...) Também é necessário lembrar outras motivações que, parcialmente, constituem outras tantas explicações do processo de colonização mundial. Assim, foi notória a visão de que a colonização era uma missão civilizadora de uma raça superior, a branca. Esta convicção baseava-se na superioridade que o europeu e o americano viam em suas instituições políticas, na organização da sociedade, no desenvolvimento industrial. Ao mesmo tempo, esta imagem era estimulada por doutrinas marcadamente racistas, como a elaborada pelo filósofo inglês H. Spencer, conhecida por "darwinismo social". Segundo essa filosofia, a Teoria da Evolução de Darwin podia ser aplicada perfeitamente à evolução da sociedade. Assim como existia uma seleção natural entre as espécies, ela também existia na sociedade. A luta pela sobrevivência entre os animais correspondia à concorrência capitalista; a seleção natural não era nada além da livre troca dos produtos entre os homens; a sobrevivência do mais capaz, do mais forte era demonstrada pela forma criativa dos gigantes da indústria que engoliam os competidores mais fracos, em seu caminho para o enriquecimento. O sucesso dos negócios demonstrava habilidade superior de adaptação às mudanças; o fracasso indicava capacidade inferior. Por estas razões, a intervenção do Estado era prejudicial, já que interrompia o processo pelo qual a natureza impessoal premiava o forte e eliminava o fraco.

Em outras palavras, se a luta pela existência resultava na sobrevivência e predomínio dos animais e plantas mais capazes, como afirmara Darwin, uma luta semelhante se produzia entre as raças humanas e as nações com idênticos resultados. Esta dura concorrência em âmbito internacional, que justificava a conquista e destruição de sociedades inferiores, era feita em nome do progresso.

Um autor da época, Edmond Desmolins, escrevendo sobre o conflito com os boêres da região do Cabo, na África, formula a questão da seguinte forma:

"Quando uma raça se mostra superior a outra nas manifestações da vida nacional, de modo inevitável, termina por dominar a vida política e impor, de modo permanente, sua superioridade. Seja que esta superioridade se reafirme por meios pacíficos, seja pela força das armas, chega um momento em que fica estabelecida oficialmente. Afirmei que esta lei é a única que explica a história da raça humana e as revoluções dos impérios e que, além disso, esclarece e justifica a apropriação, pelos europeus, do territórios da Ásia, África e Oceania, e todo o processo de nosso desenvolvimento colonial".

Escrevendo sobre a vida e façanhas de Hubert Hervey, alto funcionário da British South African Chartered Co., o conde Grey acaba concluindo que o branco, e particularmente o inglês, é o único que sabe governar, o que lhe outorga direitos indiscutíveis para dominar as raças de cor evidentemente inferiores:

"Provavelmente todo mundo estará de acordo que um inglês tem direito a considerar que sua forma de entender o mundo e a vida é melhor que a de um hotentote ou um maori e ninguém se oporá, em princípio, a que a Inglaterra faça o possível para impor a estes selvagens os critérios e modos de pensar ingleses, posto que são melhores e mais elevados. Há alguma probabilidade, por remota que seja, de que num futuro previsível possa desaparecer o abismo que agora separa os brancos dos negros? Pode haver alguma dúvida de que o homem branco deve impor e imporá sua civilização superior sobre as raças de cor?..."

No entanto, como os darwinistas sociais estabeleceram, não só o branco é superior ao homem de cor, como tem o direito indiscutível de apoderar-se de tudo o que o negro, o índio e o amarelo não sabem usar convenientemente. Este princípio é usado em nome da humanidade e não se discutem os meios. A natureza foi injusta porque repartiu de forma desigual os recursos, deixando em mãos de povos inferiores riquezas que os povos mais capacitados não podem aproveitar. É justo que tal estado de coisas se prolongue indefinidamente? Esta é a pergunta que se formula um dos mais intransigentes defensores do imperialismo francês, Albert Sarrault, respondendo que, em nome da humanidade, esta injustiça não pode ser admitida. A desigualdade criada pela natureza deve ser eliminada em nome da humanidade, ainda que isto crie a desigualdade entre os homens.

Em um livro publicado em 1931, Grandeza y servidumbres coloniales, Sarrault expôs seus argumentos com fria e cega convicção. Vejamos alguns trechos:

"Em nome do direito de viver da humanidade, a colonização, agente da civilização, deverá tomar a seu encargo a valorização e a circulação das riquezas que possuidores fracos detenham sem benefício para eles próprios e para os demais. Age-se, assim, para o bem de todos. A Europa não abandonará, absolutamente, sua autoridade colonial. Apesar de alguns perigos e de algumas servidões que a Europa deve suportar e de algumas compulsões para abdicar que recebe, não deve desertar de sua linha colonial. Ela está no comando e no comando deve permanecer. Eu nego com todas minhas forças e repudio com toda a energia de meu coração todas as tendências que procuram, tanto para a Europa como para meu país, o despejo da tutela ocidental nas colônias".

Representantes da Igreja defenderam este princípio de "direito de colonização" que na realidade é um "direito à violência" contra o mais fraco [isso aconteceu porque aqueles foram cegados pela tradição, se esquecendo da Palavra de Deus, a Bíblia. Lembrando, por exemplo, os erros cometidos pelos jesuítas: Primeiro desconsideraram os indígenas como sendo gente (baseados em concepções erradas sobre o que vem a ser alma), apoiando sua tentativa de escravização junto aos outros colonizadores; depois, procuraram os catequizar por meios errados, à força e não pela paz que emana do evangelho em si, que diz que todos somos iguais perante Deus e somos livres para aceitar ou não o plano da Salvação em Cristo Jesus]. E isto não é surpreendente, pois a teologia [apóstata] espanhola do século XVI formulou toda uma teoria para justificar a conquista da América. Alguns dos princípios formulados por Francisco de Vitoria em Relecciones teológicas, particularmente o da "guerra justa", serão retomados por leigos e eclesiásticos da época do imperialismo moderno. Por exemplo, as seguintes palavras do reverendo padre Müller, transcritas por um católico defensor do imperialismo francês, J. Folliet, doutor em filosofia tomista:

"A humanidade não deve, nem pode aceitar mais que a incapacidade, a negligência, a preguiça dos povos selvagens deixem indefinidamente sem emprego as riquezas que Deus lhes confiou, com a missão de utilizá-las para o bem de todos. Se forem encontrados territórios mal-administrados por seus proprietários, é direito das sociedades — prejudicadas por esta administração defeituosa — tomar o lugar destes administradores incapazes e explorar, em
benefício de todos, os bens dos quais eles não sabem tirar partido".

Poder-se-ia pensar que estas idéias não passavam de simples curiosidades arqueológicas européias, mas, em um país tão novo como os Estados Unidos, a visão racista da colonização foi alimento nacional. Ali, a doutrina do Destino Manifesto, inspirada do darwinismo social, serviu para justificar todo o expansionismo do século XIX, primeiro contra os índios para conquistar as terras do Oeste, depois para construir um império econômico e político no ultramar.

A doutrina era uma espécie de sentimento com vistas a um objetivo final, com a proteção da Divina Providência [Deus não tinha nada que ver com isso, obviamente. a Bíblia, bem lida, sempre demonstrou isso. Saiba que Ellen White, precursora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que viveu no século XIX e início do XX, nos Estados Unidos, não defendia o racismo e ensinava isso a todos que tinha acesso. Clique aqui, aqui e aqui para constatar]. Em 1885, o pastor Josiah Strong escreveu que os anglo-saxões estavam encarregados pela divindade de ser os guardiães da espécie humana e que Deus os havia preparado para a guerra final entre as raças [Strong era o pastor ou o lobo?]. Os anglo-saxões deviam estender-se sobre toda a superfície terrestre, começando pelo México, América Central e do Sul, sobre a África e sobre todo o mundo. (...)

[Páginas: 8-12]

Referência:

BRUIT, Héctor H. O imperialismo. Atual: São Paulo, 1999.

Resumo do livro: aqui.

Nota: Lembro que a ideia geral do criacionismo bíblico é a igualdade entre todos, independente de condição ou raça; já para o darwinismo, isso é indiferente, pois a "lei" da sobrevivência do mais forte é que determina a prevalência ou não de uma espécie ou subespécie. O Holocausto promovido por Hitler teve influência do darwinismo social, como muitos sabem, sendo que matou muito mais gente que a Igreja, no período das Cruzadas e Inquisição somadas, por exemplo (não estou defendendo a ICAR, pelo contrário, mas expondo apenas a realidade). De fato, a relação dialética na natureza vem ocorrendo, mas não foi sempre assim, pois a Bíblia diz que a Terra teve que ser amaldiçoada por causa do pecado do homem. Mas o homem, consciente disso e buscando voltar aos princípios da vida, deve procurar a harmonia com tudo e todos que o cercam, conforme orientações de Deus. Um dia essa dialética vai acabar, com a criação de novos céus e nova Terra, segundo a esperança na breve vinda de nosso Criador, Salvador e futuro Restaurador, Jesus. [ALM]

Leia também: A Bíblia não apoia a escravidão
Related Posts with Thumbnails
BlogBlogs.Com.Br